Reflexões sobre o papel do Educador em tempos atuais

          


   Adquirir conhecimento se tornou algo acessível. Podemos estudar on-line,      debater por grupos de WhatsApp ou mesmo trocar informações no celular.

Cercados de tecnologia, é possível “seguir”, “curtir”, se informar com mediante um clique. Tremenda vantagem sobre as outras gerações, não é? Me recordo, nostálgica, de que para se chegar a essas mesmas informações, hoje facilmente obtidas, era preciso passar tardes pesquisando em boas bibliotecas.

A tecnologia pode ajudar, sim; pode ser uma aliada para a proliferação de conhecimento e de contatos. Seu alcance contempla pessoas que, não fosse essa ferramenta, permaneceriam sem acesso a instrução e comunicação.

Pouco se fala, porém, na qualidade e no resultado do uso da digitalização para educação.

Mesmo se valendo dela, o educador é presença necessária, pois seleciona conteúdo, traça formatos de uso do material, planeja o caminho a ser percorrido a partir do que foi selecionado.

A reflexão que os convido a fazer é relacionada ao respeito pelo educador. A profissão exige estudo continuo. O bom educador é um bom estudante: ele se atualiza, lê, pesquisa, troca, explora, é um curioso.

Educação é uma área que exige a graduação para ser exercida, exigência hoje dispensada a diversas profissões.

Todos os educadores são graduados, contam com a educação continuada para entrar em sala de aula ou exercer o ofício, e no cotidiano são sabatinados pelo estudante, cada vez mais nutrido de informação.

Por que, então, esses profissionais passaram subitamente a ser alvo de questionamentos?  Por que a escola se tornou um local de desconfiança?

Entre as diversas formas de procurar respostas a essas perguntas, a melhor é a da reflexão. Por ela se chega a uma sociedade desconfiada, agarrada a extremos, ao temor, aos debates ameaçadores.

Mas, se o educador é o profissional capacitado a estar com crianças e jovens em um recinto educacional, contribuindo como mediador, propondo desafios para que haja hipóteses formadoras trazidas pelo educando, por que suscitar desconfiança?

É comum, hoje, vermos pais citarem alguns assuntos que, dizem, não devem ser tratados nas escolas. A indelicadeza muitas vezes não está no tema, mas na abordagem dada a ele. Pode-se discutir a maneira como deveria ser tratado e encaminhado, mas não simplesmente vetá-lo. Escola, afinal de contas, é lugar de conteúdos diversos, de debate, de assembleias. Espaço laico e cidadão, apropriado para a diversidade.

Quando se pergunta a que se destina a escola, a resposta imediata é: ao ensino e à aprendizagem, não à restrição de informação.

A mediação competente faz a informação latente e formadora, a via para a formação de cidadãos.

Apoiado no presente, o professor faz o caminho da construção do conhecimento. Como falar com crianças e jovens de gerações atuais e futuras, com acesso rápido à informação, dando as costas à contemporaneidade? Como não falar de democracia se estamos em um país cuja história é traçada pela busca e concretização de uma?

A abordagem do educador é a já citada - a do profissional formado, capacitado, atento e curioso, que traz a informação em perguntas, traz a dúvida, sujeita à pesquisa, ao conteúdo. Segundo a médica e educadora Montessori, ele é o “adulto preparado”, aquele que auxilia o educando no caminho para o novo conhecimento, formador do sujeito crítico.

Feita essa reflexão, acredite, confiar no educador diante de tamanha responsabilidade é devolver a ele o merecido respeito.


Ana F. Barros

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