Resíduos no âmbito pedagógico - Como ensinar em casa?

 

Parte 1 – Resíduos orgânicos

Ana F. Barros e  Renata P. Antunes


Hoje, 19 de setembro, ocorre o Dia Mundial da Limpeza (World Cleanup Day). Essa ação, em que voluntários se mobilizam para realizar a limpeza de praias, rios, praças e ambientes em que vivem, acontece desde 2008. Em 2019, envolveu 20 milhões de pessoas e 180 países.

Nesse ano, em que as atividades relacionadas à mobilização do Dia Mundial da Limpeza também ocorrerão em nossas residências, a Casa Mirim inicia uma série de textos que abordam a educação ambiental. A nossa busca é contribuir no apoio às famílias, com crianças em idade escolar, que queiram transformar hábitos e orientar seus filhos em relação aos resíduos.

Iremos falar um pouco sobre os “Resíduos Orgânicos no âmbito pedagógico- como ensinar em casa? ”.

Quando falamos em educação ambiental, assim como qualquer temática relacionada à educação, por estarmos vivendo em uma pandemia, é preciso mais do que refletir, é indispensável agir e ir ao encontro de novos paradigmas.

A prática escolar nesse ano de 2020 está acontecendo, de alguma maneira, em casa, onde as famílias constantemente trocam conhecimentos nas ações cotidianas. Existem momentos espontâneos, claro, aqueles do dia a dia que praticamos regularmente. Não podemos negar, que neles também a criança aprende, observando os adultos e participando das ações.

Se tratando de resíduos e ações possíveis de aprendizagem em casa, retomamos a importância de fazer algo em relação a isso. Se os hábitos de nossa casa são ajustados ao benefício do ambiente, ensinamos fazendo e praticando, todos os dias.  

Na permacultura, criada por Bill Mollison, na década de 1 970, somos parte de um ciclo natural:

Cuidar da terra, cuidar das pessoas, cuidar do futuro.

É possível ensinar princípios como esses em casa, sem o apoio presencial da escola?

Abordaremos aqui, neste primeiro texto, o resíduo orgânico doméstico e de que forma podemos utilizá-lo como ferramenta educativa para transformar a relação das pessoas com o lixo que produzem.

            A geração de resíduos é uma das maiores causadoras de impacto ambiental por ação antrópica, contaminando solos, rios, oceanos e atmosfera. O resíduo doméstico, produzido diariamente em grande escala no mundo todo, pode ser dividido em três categorias: recicláveis, rejeitos e material orgânico. Sendo o último responsável por cerca de 60% do lixo gerado nas casas brasileiras.

Quando o material orgânico é destinado aos aterros e lixões há liberação de metano e chorume, pois são degradados em condições anaeróbicas. O metano é um gás altamente nocivo e causador do efeito estufa. O chorume por sua vez, contamina o solo e lençóis freáticos. Ao mesmo tempo, por representarem a maioria do lixo doméstico, o resíduo orgânico encarece o transporte e deposição no destino final, além do seu deslocamento contribuir para o aumento da produção de gás carbônico, ou dióxido de carbono, também responsável pelo efeito estufa.

Imagine que, utilizando seu resíduo orgânico, sua família deixa de gerar esses enormes impactos ambientais, além de fabricar seu próprio adubo!

O resíduo orgânico é facilmente degradado quando transformado em adubo por um processo simples e de baixo custo chamado compostagem, podendo ser praticado em qualquer idade, desde a separação dos restos de verdura, cascas de frutas e legumes até a montagem e manutenção da composteira.

Basta em sua casa ter um recipiente com tampa, preferencialmente na cozinha; assim, ao longo do dia o lixo orgânico vai sendo depositado e quando esse recipiente estiver cheio deve ser levado ao local da compostagem em seu quintal. Além dos restos de alimentos, a compostagem deve ter uma camada de folhas secas, palha ou serragem para cobrir, evitando assim eliminação de odores e, portanto, a atração de animais. A manutenção ao longo do processo de degradação do resíduo engloba revolvimento-lembrando ser um processo aeróbico- quando estiver compactada e regar o local da composteira, se estiver muito seca. Em três messes a compostagem se completa e o adubo estará pronto para uso.

O Minhocário é a solução para descarte de resíduos orgânicos em apartamentos, possível ser construído, há tutoriais na internet, ou mesmo comprá-lo pronto em locais como o site da Morada da Floresta. (https://loja.moradadafloresta.eco.br/)  

É importante envolver as crianças em todas as etapas do processo, pois dessa forma, elas conseguirão perceber a transformação do seu lixo em adubo e posteriormente destiná-lo à horta. Há o benefício educativo nessa ação e o ambiente deixará de receber uma grande quantidade de resíduos e consequentemente o gás metano, pois a degradação é aeróbica e não produz o chorume.

A principal aprendizagem adquirida em casa com essa prática é mudar o padrão e a relação com o lixo produzido. Para que o processo faça mais sentido para a criança, lembre-se de realizá-lo na 1ª pessoa. Pois somos protagonistas e responsáveis pela mudança.




        Para a criança, a aprendizagem principal é compreender o ciclo proposto: resíduo orgânico, compostagem, horta feita com adubo orgânico, podendo ser um pequeno canteiro de ervas ou temperos produzido com o composto caseiro, colheita e culinária realizada com o alimento. Praticando, de fato, a educação ambiental, tornamos dessa forma, cotidiana e contínua a consciência na vida de nossos filhos de que fazemos a diferença.

Resíduos que podem ser compostados:

§       Frutas, legumes e verduras;

§       Cascas de ovos;

§       Aveia;

§       Casca de amendoim e de castanhas;

§       Alho e cebola;

§       Ervas e especiarias; 

§       Grãos de milho;

§       Grãos de soja;

§       Frutas e legumes congelados;

§       Tofu;

§       Algas e nori (alga para comida japonesa);

§       Leite e derivados;

§       Farinhas;

§       Massas cruas e cozidas;

§       Doces, bolos e barras de cereais;

§       Geleias e goiabada;

§       Cereais matinais;

§       Biscoitos;

§       Migalhas de pão;

§       Batata frita e salgadinhos;

§       Bagaço de cana;

§       Sementes de girassol, gergelim e abóbora;

§       Borra de café;

§       Folhas de chá;

§       Sementes de frutas e legumes;

§       Polpa de frutas;

§       Sobras de comida;

§       Peixes;

§       Carnes;

§       Insetos mortos;

§       Resto de ração para animais;

§       Pelos de animais;

§       Comida para peixes;

§       Penas (não sintéticas);

§       Grama cortada;

§       Restos de plantas;

§       Flores;

§       Plantas normais ou secas;

§       Restos de arranjos florais;

§       Plantas de aquário;

§       Cascas de frutas ou árvores;

§       Folhas verdes ou secas;

§       Raízes e capim seco;

§       Palhas;

§       Aparas de lápis;

§       Giz de cera;

§       Serragem;

§       Cinzas de fogueira ou lareira;

§       Fósforos;

§       Espetos de madeira;

§       Espetos de bambu;

§       Palitos de dente;

§       Hashi (palitos de comida japonesa);

§       Sachês de chá;

§       Rolhas de vinho (apenas de cortiça);

§       Papel toalha;

§       Filtros de café;

§       Rolos de papel higiênico e de papel toalha;

§       Cartões (exceto modelos plastificados);

§       Forminhas de cupcake;

§       Caixas de pizza (rasgada em pequenos pedaços);

§       Guardanapos;

§       Pratos e sacolas de papel;

§       Embalagens de papelão (rasgada em pequenos pedaços);

§       Caixas de ovos (apenas de papelão);

§       Lenços de papel;

§       Poeira de limpeza doméstica;

§       Sujeira do aspirador de pó;

§       Algodão (inutilizado ou utilizado sem nenhum contato com produtos químicos).

 Resíduos que não podem ir na composteira:

´         Vidro;

´         Metal;

´         Plásticos;

´         Óleos, gorduras ou graxa;

´         Tintas;

´         Couro;

´         Madeira tratada com pesticida ou verniz;

´         Produtos químicos em geral;

´         Papel colorido;

´         Papel-alumínio;

´         Pilhas e baterias;

´         Remédios;

´         Fezes e urina humana e de animais domésticos;

´         Unhas cortadas;

´         Cabelo;

´         Absorventes e fraldas;

´         Bitucas de cigarro;

´         Chicletes;

´         Fio-dental;

´         Velas;

´         Balões de plástico;

´         Esponjas;

´         Conchas;

´         Tecido de algodão;

´         Pano de chão;

´         Jornal velho;

´         Cola branca.

Fonte: Ciclo Limpo.


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