PARA O PROFESSOR ISMAEL GUARANI KAIWOÁ, NOSSO MUITO OBRIGADO
PROFESSOR NOTA 10
Autora: Lauranice Fiorim
Foto: Lauranice FiorimA dança está presente nos rituais, festas, comemorações dos índios Guarani Kaiwoá. Danças tradicionais, danças contemporâneas. Velhos e jovens, todos gostam de dançar. A dança festeja, alegra, une as aldeias.
Ismael Moreira em 2006 era professor de Educação Física, da Aldeia Amambai, etnia Guarani Kaiwoá , no Estado do Mato Grosso do Sul, área de 3,4 metros quadrados por indivíduo onde vivem 7 mil índios. (Dados site ISA)
Ismael percebeu que
a dança poderia ser um recurso pedagógico importante para aproximar, preservar
e trazer conhecimento da cultura indígena guarani para os jovens da aldeia. O
professor e seus alunos se reuniam em frente à sua casa, embaixo de uma árvore,
tomando o tradicional tereré, para se organizar, debater, criar. Depois,
sair em grupos nas entrevistas e buscas de conhecimento sobre as danças
tradicionais com os mais velhos, que contavam suas histórias, utilizando-se da
história oral, registrada pelos seus sucessores.
Seu trabalho ganhou
o prêmio Professor Nota 10 da Fundação
Victor Civita 2006.
Para o
professor, os obstáculos não desapareceram com o reconhecimento. Ele seguiu em
frente. Hoje, vários jovens, que foram seus alunos, inspirados e incentivados pelo
exemplo do professor nota 10 seguiram seus estudos, chegando à universidade, pós
graduação e mestrado.
Atualmente, a dança faz
parte dos Jogos Esportivos e Tradicionais Indígenas, que acontecem anualmente
entre aldeias, evento elaborado e executado por Ismael.
Foi preciso muita
perseverança para construir os jogos esportivos, já que os jovens participantes
de todas as aldeias ficam alojados na aldeia Amambai, dormindo, comendo por
vários dias. Mas Ismael é nota 10, não desiste. Com doações, voluntários
trabalhando na cozinha e na limpeza, os jogos se tornaram encontro anual
obrigatório.
Esses encontros proporcionam trocas
de experiências pessoais e de conversas. Os jovens podem atualizar
informações e se relacionar com parceiros de outras aldeias.
Atualmente Ismael é vereador, o único
político indígena da cidade e continua seu trabalho com jovens na aldeia.
Professor Ismael
veio nos visitar aqui em Minas. Plantou orquídeas, sentiu saudade do puchero indígena e se encantou com a
paisagem de Minas Gerais, "igual à dos livros". Quando foi
embora, deixou o seguinte bilhete: " Quem tem dinheiro vai longe, mas quem
tem amigos vai mais longe ainda". Guardamos esse bilhete nota dez como
recordação de um amigo que faz da educação social sua luta.
Sobre
a autora: Lauranice Fiorim formada na PUC-Campinas em enfermagem, mestra em
educação pela PUC- SP, trabalhou com educação e saúde indígena por mais de uma
década, com várias etnias, dentre elas Yanomami, Wapichana e com as etnias que
habitam o Alto Rio Negro, no Amazonas. Sempre com foco na formação dos Agentes
Indígenas de Saúde e na autonomia social em saúde desses povos. Atuou também
como professora de Saúde Indígena, dentre outras matérias, na Universidade
Estadual de Roraima.


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